terça-feira, 5 de dezembro de 2017

DOZE CONTOS PEREGRINOS/DOCE CUENTOS PEREGRINOS




















DOZE CONTOS PEREGRINOS
Gabriel Garcia Márquez
Tradução: Eric Nepomuceno
Editora Record, 1992





No primeiro parágrafo (en el primer párrafo), nos conta Gabo:



Boa Viagem, Senhor Presidente



Estava sentado no banco de madeira debaixo das folhas amarelas do parque solitário, contemplando os cisnes empoeirados com as mãos apoiadas no pomo de prata da bengala, e pensando na morte. Quando veio a Genebra pela primeira vez o lago era sereno e diáfano, e havia gaivotas mansas que se aproximavam para comer nas mãos, e mulheres de aluguel que pareciam fantasmas das seis da tarde, com véus de organdi e sombrinhas de seda. Agora a única mulher possível, até onde a vista alcançava, era uma vendedora de flores no embarcadouro deserto. Ele custava a crer que o tempo pudesse ter feito semelhantes estragos não apenas em sua vida, mas no mundo.