quarta-feira, 14 de maio de 2014

GERMINAL

Trabalhadores italianos em greve (1905) Pintura de Pelizza de Volpeto








GERMINAL
Émile Zola
Tradução: Francisco Bittencourt
Editora Abril




No primeiro parágrafo, nos conta Zola:

I

Na planície rasa, sob a noite e sem estrelas, de uma escuridão e espessura de tinta, um homem caminhava sozinho pela estrada real que vai de Marchiennes e Monstou, dez quilômetros retos de calçamento cortando os campos de beterraba. Á sua frente, não enxergava nem mesmo o solo negro e somente sentia o imenso horizonte achatado através do sopro do vento de março, rajadas largas como sobre um mar, geladas por terem varrido léguas de pântanos e terras nuas. Nem sombra de árvore manchava o céu; a estrada desenrolava-se reta como um quebra-mar em meio à cerração ofuscante dos trevas. 


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