quarta-feira, 28 de maio de 2014

O PAVÃO MISTERIOSO E OUTRAS MEMÓRIAS





O PAVÃO MISTERIOSO
e Outras memórias
Roniwalter Jatobá
Geração Editorial



No primeiro parágrafo, nos conta Roniwalter:


   
         Durante muitos anos, minha irmã mais velha leu para mim, antes de dormir, a história do pavão misterioso. De tanto ouvi-la até decorei muitos trechos e, na imaginação, inventava outros finais para o seu fantástico relato. Em muitas noites, vinham os sonhos, bons sonhos, que me transportavam para aquele reino de muita fantasia. Para quem não sabe, a história conta, em versos, o rapto de uma condessa turca por um rapaz que morava na Grécia - e uma grande paixão. 


terça-feira, 27 de maio de 2014

ESPELHO, ESPELHO MEU













ESPELHO, ESPELHO MEU - Um jeito de crescer
Fanny Abramovich
Editora Brasiliense


No primeiro parágrafo, nos conta Fanny:



       Pela 15º vez naquela tarde, Débora se olha no espelho. Não, não tem jeito.... Gordota, branquela de doer na vista, perna fina, fina. O busto? Só procurando com binóculos, de tão achatado e pequeno. Como se não bastasse, está crescendo tanto que vai acabar ficando mais alta do que qualquer menino. Um verdadeiro horror!


quarta-feira, 21 de maio de 2014

EM DUAS ESTAÇÕES



















EM DUAS ESTAÇÕES
Fátima Soares Rodrigues
Maza Edições







No primeiro parágrafo, nos conta Fátima:



    
01/07/2001 – Domingo

        Tarde de domingo. O dia começa a ir embora. Apesar do frio, o sol brilhou durante o dia e um céu pintado de arrebol vai, aos poucos, despedindo-se da luz.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

LIVRO DO DESASSOSSEGO
















LIVRO DO DESASSOSSEGO
Fernando Pessoa
Editora Brasiliense




No primeiro parágrafo, nos conta Pessoa:




L. do D. {Prefácio)

Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco freqüentadas, é freqüente encontrarem-se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida.


PEDRO PÁRAMO E O PLANALTO EM CHAMAS - PEDRO PÁRAMO E EL LLANO EN LLAMAS












PEDRO PÁRAMO E O PLANALTO EM CHAMAS
Juan Rulfo
Tradução: Eliane Zaguri
Editora Paz e Terra


No primeiro parágrafo, nos conta Rulfo:



Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo. Foi minha mãe quem disse. E eu prometi que viria vê-lo quando ela morresse. Apertei-lhe as mãos em sinal de que o faria; ela estava para morrer e eu em situação de prometer tudo. "Não deixe de ir visitá-lo", recomendou-me. "Chama-se assim e desse outro modo. Estou certa de que terá prazer em conhecer você." Então não pude fazer nada a não ser dizer que o faria, e de tanto dizer continuei dizendo, mesmo depois do trabalho que minhas mãos tiveram para se safar das suas mãos mortas.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

GERMINAL

Trabalhadores italianos em greve (1905) Pintura de Pelizza de Volpeto








GERMINAL
Émile Zola
Tradução: Francisco Bittencourt
Editora Abril




No primeiro parágrafo, nos conta Zola:

I

Na planície rasa, sob a noite e sem estrelas, de uma escuridão e espessura de tinta, um homem caminhava sozinho pela estrada real que vai de Marchiennes e Monstou, dez quilômetros retos de calçamento cortando os campos de beterraba. Á sua frente, não enxergava nem mesmo o solo negro e somente sentia o imenso horizonte achatado através do sopro do vento de março, rajadas largas como sobre um mar, geladas por terem varrido léguas de pântanos e terras nuas. Nem sombra de árvore manchava o céu; a estrada desenrolava-se reta como um quebra-mar em meio à cerração ofuscante dos trevas. 


terça-feira, 13 de maio de 2014

CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA - CRÓNICA DE UNA MUERTE ANUNCIADA




















CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA
Gabriel García Márquez
Editora Record



No primeiro parágrafo, nos conta Gabo:



No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava os bispo. Tinha sonhado que atravessava um bosque de grandes figueiras onde caía uma chuva branda, e por um instante foi feliz nos sonho, mas ao acordar sentiu-se completamente salpicado de cagada de pássaros. "Sempre sonhava com árvores", disse-me sua mãe 27 anos depois, evocando os pormenores daquela segunda-feira ingrata. "Na semana anterior tinha sonhado que ia sozinho em um avião de papel aluminizado que voava sem tropeçar entre as amendoeiras", disse-me. Tinha uma reputação muito bem merecida de intérprete certeira dos sonhos alheios, desde que fossem contados em jejum, mas não percebera qualquer augúrio aziago nesses dois sonhos do filho, nem nos outros sonhos com árvores que lhe contara nas manhãs que precederam sua morte.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

CEMITÉRIO DE ELEFANTES














CEMITÉRIO DE ELEFANTES
Dalton Trevisan
Editora Record



No primeiro parágrafo, nos conta Dalton:


Primeira noite ele conheceu que Santinha não era moça. Casado por amor, Bento se desesperou.  Matar a noiva, suicidar-se, e deixar o outro sem castigo? Ele revelou que, havia dois anos, o primo Euzébio lhe fizera mal, por mais que se defendesse. De vergonha, prometeu a Nossa Senhora ficar solteira. O próprio Bento não a deixava mentir, testemunha de sua aflição antes do casamento. Santinha pediu perdão, ele respondeu que era tarde - noiva de grinalda sem ter direito. (*)


(*) Conto  “O primo”.

domingo, 11 de maio de 2014

O FALECIDO MATTIA PASCAL - IL FU MATTIA PASCAL











O FALECIDO MATTIA PASCAL
Luigi Pirandello
Tradução: Mário Silva
Editora Civilização Brasileira


No primeiro parágrafo, nos conta Pirandello;

§ 1 – PREMISSA

Uma das poucas coisas e, talvez mesmo, a única que eu sabia ao certo era esta: que me chamava Mattia Pascal. E dela me aproveitava. Todas as vezes que algum dos meus amigos ou conhecidos dava provas de ter perdido o juízo, a ponto de vir ter comigo, em busca de concelho, ou sugestões, eu encolhia os ombros e respondia:
- Eu me chamo Mattia Pascal.
- Obrigado, meu caro. Isso, já sei.
- E acha pouco?


segunda-feira, 5 de maio de 2014

O ENGENHOSO FIDALGO DOM QUIXOTE DE LA MANCHA








O ENGENHOSO FIDALGO DOM QUIXOTE DE LA MANCHA
Miguel de Cervantes Saavedra
Tradução dos Viscondes de Castilho e Azevedo

Editora Nova Aguilar, 2004.




No primeiro parágrafo, nos conta Cervantes:

Capítulo primeiro
Que trata da condição e exercício do famoso fidalgo D. Quixote de La Mancha.


Num lugar da La Mancha, de cujo nome não quero lembra-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor. Passadio, olha seu tanto mais de vaca do que de carneiro, as mais das ceias restos de carne picados com sua cebola e vinagre, aos sábados outros sobejos ainda somenos, lentilhas às sextas-feiras, algum pombito de crescença aos domingos, consumiam três quartos do seu haver. O remanescente, levavam-no saio de belarte, calças de veludo para as festas, com seus pantufos do mesmo; e para os dia de semana o seu bellori do mais fino. Tinha em casa uma ama que passava dos quarenta, uma sobrinha que não chegava aos vinte, e um moço da poisada e de porta a fora, tanto para o trato do rocim, como para o da fazenda. Orçava na idade o nosso fidalgo pelos cinquenta anos. Era rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador, e amigo da caça.


sábado, 3 de maio de 2014

A DIVINA COMÉDIA - LA DIVINA COMMEDIA












A DIVINA COMÉDIA – LA DIVINA COMMEDIA
Dante Alighieri
Tradução: Hernâni Donato
Abril Cultural, 1981.





No Primeiro parágrafo, conta Dante:

1.     Ao meio da jornada da vida, tendo perdido o caminho verdadeiro, achei-me embrenhado em selva tenebrosa. Descrever qual fosse essa selva selvagem é tarefa assim dorida que na memória o pavor renova. Tão triste que na própria morte não haverá maior tristeza. Mas, para celebrar o bem ali encontrado, direi a verdade sobre as outras coisas vistas.