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| foto by: Roberto Candido |
O arranjador de palavras
J.cordeirovich
Scortecci
Editora,
outono de 2016.
outono de 2016.
No primeiro parágrafo, digo poema, nos conta: J.cordeirovich:
Vidraça
No
deserto aqui sentado da sala
Nem
um Outro se aproxima
Nem
dos livros ali largados
Nem
o vapor do aço
De
quem nos dita do valor das horas
Transcorrendo
calmamente
Minhas
mãos espalmadas
Na
escuridão
A
escorregar
Nave
no lá
Aurora
deixada no ar
O
som da vizinha casa me vem
E
o silêncio também pede
Uma
orquestra
Quem
está em cena?
É
bela morena
Que
fala, fala, faz
Ao
sincronizar
Pontas
de pés
Ajustados
em brancas sapatilhas
Que
justamente
Como
quem dedilha
No
chão, no ar
O risco
Um
piano de Chopin
Um
iluminador tardio
Velho
funcionário do
Mais
velho ainda, teatro.
Deixa
que apenas
Uma
aresta de luz
Na
cena, mostre bela e plena
Numa
magistral visão
Braço,
coxa, seios
Pernas,
pés.
E
o vão do não
Da
vaga rua
Desenhada
no ar
A
melodia entra em convulsão
Não,
Concluo.
Há
cinema nisso que vejo
Na
vidraça holográfica
Do
real que reúne e entorpece
num
cinema de cores.

Eu ouvi, não eram somente palavras, há algo pra além das palavras, não eram só palavras, como diria? Eram palavras mas iam além.
ResponderExcluirEstratégia matreira de um cozinheiro de "pedras" palavras, que resultam em n'algo novo aos olhos-ouvidos do leitor. Ouvi-lê!
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