A MISTERIOSA CHAMA
DA RAINHA LOANA
Umberto Eco
Tradução: Eliana Aguiar
EDITORA RECORD
No primeiro parágrafo, nos conta Eco:
“E o senhor, como se chama?”
“Espere, está na ponta da língua.”
Tudo começou assim.
Era como se acordasse de um longo sono, e no entanto ainda estava
suspenso em um cinza leitoso. Ou quem sabe não estava acordado, mas sonhando.
Era um estranho sonho, desprovido de imagens, povoado por sons. Como se não
visse, mas ouvisse vozes que me contavam o que devia ver. E contavam que eu
ainda não via nada exceto um fumegar ao longo dos canais, onde a paisagem se
dissolvia. Brugues, disse a mim mesmo, estava em Bruges, já estivera em Bruges,
a morta? Onde a névoa flutua entre torres
como o incenso que sonha? Uma cidade cinzenta, triste como uma tumba florida de
crisântemos onde a bruma pende desbeiçada das fachadas como um arrás...

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